domingo, 20 de setembro de 2009

A morte da pregação (parte3):Pregação ou Palestra motivacional


E segue o enterro da pregação, sem pompa nem circunstancia, mas já acharam substitutos: as palestras motivacionais, que infestam os pulpitos com promessas vazias de vitórias e conquistas, feito tirinhas de horóscopo nos jornais....papagaios de realejo de terno e gravata, toalhinha, voz esganiçada e cara-de-pau...banquinha de cd e apostila na porta, conta gorda e anel de doutor..."livrin chupinhado", frases "de(e)feito", mulher que canta e ar de intelectual...multidões fascinadas, encantadas e enganadas...bíblias customizadas, agendas cheias e festividade todo fim de semana...rajadas, barulho, e efeito de voz...Martinho Lutero, Spurgeon e cia., são chamados para dar aval e como não podem dizer "não" são trazidos à força...a Bíblia é citada ou lida por pretexto...no final de tudo uma chamada, um apêlo e uma oração e podem descer o caixão...

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

É fácil ser crente...


Quando só precisamos imitar os mediocres e caminhar na mesma direção.
Quando não precisamos atender qualquer exigência de vida disciplinada, só precisamos estar atualizados com as últimas novidades do varejão gospel.
Quando vamos à igreja procurando entretenimento, e é isso mesmo que encontramos.
Quando o parametro de vida piedosa são as pessoas rasas da comunidade, ou pior ainda, o avivalista "itinerrante" metido a profundo e sua fabriquinha de ilusões. Gente que insiste em reduzir Deus a uma equação matemática e a "tão grande salvação" a um sistema de gratificação e castigo.
Quando o "fogo" do Espírito (será?!) é mais importante do que o fruto do Espírito (Gl.5.22)
Quando o culto serve para aliviar as tensões e justificar o "vale-tudo nosso de cada dia", ou seja, apenas um momento de catarse em que Deus não passa de um coadjuvante de luxo e nunca o centro da reunião.
Quando ser fiel, é mesquinhamente ser dizimista e ofertante. Esse tipo de dízimo, é apenas o "pedágio da alienação", uma espécie de indulgência, pois se sou fiel apenas dizimando não importa o resto.
Quando a Ceia não tem relevância, a não ser como climáx do fetiche hipocondriaco generalizado, porque hoje se você entrar em algumas igrejas com saúde, logo arrumarão uma doença pra você, pois o culto (será?!) tem que ter cura! É a ressurreição da velha máxima de repartição pública: "Criar dificuldade para vender facilidade"
Quando a ordem é cantar sem pensar no conteúdo do que se canta, e de preferencia os hits triunfalistas do momento. Isso inclui as músicas longas de uma frase só, os mantras evangélicos,música "pra sentir", As aberrações teológicas do tipo que convidam Jesus para entrar em casa depois de anos na igreja, ou as vitórias revanchistas com sabor mel, ou ainda as chuvas intermináveis que não causam inundações. Enfim, como diria Stanislaw Ponte Preta, todo o repertório do FEBEAPA (Festival de Besteira que Assola o País)

É fácil ser crente no evangelho da "graça barata", pois como disse Bonheffer:
"Graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina comunitária, é a Ceia do Senhor sem confissão de pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. a graça barata é a graça sem discipulado, sem cruz, graça sem Jesus vivo, encarnado. A graça preciosa é o tesouro oculto no campo, por amor do qual o ser humano sai e vende com alegria tudo quanto tem; a pérola preciosa, para cuja aquisição o comerciante se desfaz de todos os seus bens; o senhorio régio de Cristo, por amor do qual o ser humano arranca o olho que o faz tropeçar; o chamado de Jesus Cristo, pelo qual o díscipulo larga as redes e o segue." (Bonhoeffer. Discipulado, Ed Sinodal,2004, p.10)

Que o Senhor nos livre desse evangelho de conveniências e facilidades, pois é "outro evangelho."

terça-feira, 1 de setembro de 2009

É fácil ser pastor...

"A ordem de Jesus à Pedro foi 'apascenta as minhas ovelhas', não foi faça experiências com minhas cobaias, e nem ensine novos truques aos meus cães" C.S.Lewis

É fácil ser pastor...
...Quando a ignorância na Igreja não é vista como um inimigo a ser vencido, mas um importante aliado, copiando descaradamente o modelo governamental secular.

Quando se confunde a Igreja com propriedade particular, e aí cumpre-se o dito ambíguo que diz que o problema de alguns pastores é “que eles fazem na vida pública o que fariam na privada!”
Quando encher os bancos (da Igreja) a qualquer custo é a meta, e encher os outros bancos é o objetivo; Quando pregar é uma diversão e nunca uma responsabilidade, e aí se usa as oportunidades para entreter e divertir e nunca para ensinar e conscientizar.
Quando as agendas cheias transformam tarefas, como aconselhar, em uma "prática" (e terrível!) declamação da sabedoria duvidosa dos gurus da auto-ajuda.

Quando ouvir o aflito e angustiado está fora de cogitação. É mais fácil dizer: "reunam todos os quebrados aqui na frente que farei um clamor por atacado", e tudo resolvido...
Quando o referencial de gente bem sucedida é a classe política, os charlatões e os estelionatários da fé.


Quando estar acima da crítica é mais importante do que estar do lado da verdade.
Quando a relação com os demais obreiros é a de chefe e empregados, e nunca de companheiros na mesma luta.
Quando se busca a própria glória, o tapinha nas costas, a bajulação
Quando não existe o menor esforço para ver Cristo formado nos irmãos
Quando a única reforma que se conhece é de tijolo e cimento, e nunca do pensamento e da vida
Quando o púlpito é o lugar mais escancarado da Igreja, que precisa ser ocupado por quem tem habilidade com manipulação das massas; e os métodos e as técnicas são mais apreciados do que conteúdo bíblico e teológico.
Quando os interesses e prioridades não são os de Cristo e do Reino, mas da cúpula e do império.


Enfim, é fácil ser pastor, quando se atropela a orientação da Palavra de Deus. Sim, é tudo muito fácil, "extremamente fácil", mas exige uma coragem imensa porque um dia se prestará contas ao Sumo-Pastor!


Àquele que nos guia aos "pastos verdejantes e as águas tranquilas" seja a Glória, o Poder e o Domínio pelos séculos dos séculos!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

TEOLOGIA DA INDECÊNCIA


Por Alan Brizotti
http:alanbrizotti.blogspot.com


É indecente quando pastores aumentam gritantemente seu patrimônio enquanto a maioria dos membros da igreja faz verdadeiros malabarismos financeiros para conseguir pagar o dízimo e o aluguel. Ainda mais indecente é saber que esses membros recebem doses monstruosas de ilusão, via teologia da prosperidade, para que se acostumem nessa perversa seletividade arbitrária nojenta. Afinal, se não existir o miserável, quem vai alimentar a indústria da prosperidade? E, se não existir o pastor magnata, quem vai "garantir" os resultados? Lógicas indecentes.
É indecente quando a membresia honesta das igrejas fecha os olhos e tenta se iludir chamando tudo isso de "fim dos tempos". Tudo o que os indecentes mais querem é uma escatologia do desespero, da fuga. Enquanto isso, paraísos fiscais substituem o céu por aqui. É indecente saber que não existe pecado para os que têm credencial.
É indecente cantar tanta coisa ridícula e ainda culpar o Espírito Santo pela tal inspiração (ou seria alucinação?). É indecente pagar somas astronômicas a cantores e pregadores que fazem da fé a senha de sua conta bancária obesa. A bandidagem eclesiástica é mesmo milagrosa: faz sumir seu suado dinheirinho e ainda deixa você sonhando... Não me lembro onde li essa frase, mas serve: "não desista do seu sonho, apenas vá a outra padaria". O pão que a igreja vende envelheceu...
É indecente a passividade silenciosa do povo. Por mais antigo que seja o que vou dizer, ainda precisa ser dito: o povo tem o poder! Só esquece disso. Diga não aos indecentes! Diga não a essa pulpitocracia canalha, a essa sacanagem divina, a essa pilantragem sagrada, a essa malandragem eclesiástica. Envie esse post pra todo mundo. A net é uma arma poderosa!
Não compre CD'S e DVD'S de cantores e pregadores mercenários. Não os convide para seus congressos. Há tantos cantores e pregadores honestos e abençoados "guardados" no anonimato. Não aceite tudo que os pastores dizem. Questione. Duvide. Exija explicações bíblicas genuínas. Cuidado: ano que vem é ano de eleição. Não venda seu voto! Ao invés de gastar seu dinheiro para ir aos carnavais evangélicos bizarros, contribua com orfanatos, creches, asilos, ong's, casas de recuperação, hospitais.
A teologia da indecência adora bodes expiatórios, portanto, se você quiser descarregar sua raiva em mim, vá em frente! Pode me chamar de herege (é uma honra, pois é maravilhoso ser contra essa indecência toda). Pode me chamar de rebelde (inclusive, tenho um pôster do Che bem à minha frente). Ah, se quiser pode até me mandar pro inferno, pois nesses casos, o inferno é o lugar para onde os covardes mandam os lúcidos.Até mais...Alan Brizotti

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

RESPEITÁVEL PÚBLICO !!


Nunca se viu tanta coisa insana no meio evangélico como hoje! e isso parece não ter limites, a cada dia surge uma novidade bizarra. A impressão que temos é de que há uma uzina de besteirol evangélico que não para de funcionar um só momento. Os pulpitos das igrejas estão infestados de humoristas, politicos, animadores de auditórios, atores, palhaços...falta espaço para pregadores e pastores!!! Como se dizia no império Romano o povo quer "pão e circo", mas o pão de hoje é duro e envelhecido e o circo didadó!!!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

VICIADOS EM MEDIOCRIDADE

“O contato com a mediocridade gera mais mediocridade. Os medíocres têm medo da literatura, dos clássicos e da leitura. Têm medo do esforço, do trabalho - e da história. Acham que a escola serve para paparicar a banalidade que os miúdos levam da rua e da televisão. Eles são um perigo que anda à solta, espalhando mais mediocridade, impunemente.” (Francisco Viegas, Jornal de Notícias.)

O mal do século, segundo Richard Foster, não é o câncer, não é a AIDS, nem a Gripe H1N1, nem ainda a violência ou a corrupção, mas é a superficialidade. Um produto natural de uma época como esta é a mediocridade. Tanto a superficialidade como a mediocridade (irmãs gêmeas), não existem no vácuo, mas se expressam em pessoas. Todos nós temos, em algum momento da nossa vida, oportunidade (vergonhosa!) de expressar um “pouquinho” de mediocridade, mas tem pessoas que são absolutamente viciadas!
Esse vício, como produto do meio (e também como fomentador do meio) é assustador porque, entre outras coisas, ele é causador de outros vícios. Além disso, ele também cresce e se espalha como uma grande epidemia! Não há esfera da sociedade que não sofra de algum modo com esse mal. Mas não há lugar pior para esse vício maldito mostrar as suas garras do que na Igreja!
Os viciados em mediocridade na Igreja são amantes de si mesmo, amantes da teologia da prosperidade, caçadores dos caminhos fáceis, dos atalhos; fascinados pelos milagres, vivem enfiados nas “milagrolandias” da vida. As “milagrolandias” são igrejas sem compromisso com a Verdade, espalhafatosamente dirigidas por verdadeiros traficantes de “promessinhas”, que misturam linguajar e versos bíblicos em seus discursos entorpecentes, causando dependência mortal, e tirando daí o seu sustento!
Quanto aos viciados, a pregação bíblica lhes causa crise de abstinência (do besteirol); a leitura, sobretudo da Bíblia, é para eles um martírio; a reflexão teológica, um pesadelo. Quando estão em suas “viagens” têm sensação de plenitude, e quando afinal espalmam as mãos para cima e dizem “amém”, voltam para casa com o ar de dever cumprido: “domingo tem mais!”-... Pobres viciados!

Os medíocres estão no poder

Nada mais natural para uma era de superficialidade intensa. Pois, se a mediocridade se espalha com essa velocidade alucinante é porque tem uma liderança medíocre por trás. Como disse A.W.Tozer, todo povo é, ou virá a ser, aquilo que seus líderes são.
Logo, os viciados têm uma boa fonte de abastecimento. Como esses líderes são megalomaníacos, e os viciados em geral são fascinados pela “grandeza e o poder”, temos um sistema desgraçadamente auto-sustentável. Os líderes fingem se importar com as mazelas dos pobres seguidores. Alimentam as ilusões com milagres forjados, com palestras motivacionais (eu não ousaria chamá-las de pregação), mega-construções, mega-eventos, entretenimento à vontade, repletos de celebridades “gospel”, que servem como exemplos de vitória. E as massas pensam que um dia também vão andar de helicóptero, viajar pelo mundo, alcançar status social... Pobres viciados iludidos!

Alegram-se em fazer parte, mas na realidade não fazem. As decisões dos líderes medíocres são sempre unilaterais, privilegiando a superficialidade e desprezando quem de fato pode contribuir. Assim, ao longo do caminho, vão perdendo pessoas valorosas. Mas, porque se importar? Nunca faltarão bajuladores!
A Bíblia é tediosa nesse esquema, existe uma imitação bisonha de ensino e uma pseudo-preocupação com o conhecimento. Porém, é só olhar mais de perto para se perceber que tudo não passa de encenação. Não se incentiva os jovens a crescer no conhecimento, até porque os jovens logo questionarão. Melhor mantê-los ocupados com a “arte”. As crianças são tratadas como parte do espetáculo, o que de certa forma já as deixa bem encaminhadas no esquema. São engraçadinhas e risonhas, e dar uma encenada atenção a elas aumentará a popularidade e solidificará a perpetuação no poder. Se você acha que esse "maquiavelismo" é exagero, dê uma boa olhada à sua volta!

“Ainda há esperança”
Estes são alguns aspectos de uma realidade deprimente e desanimadora na Igreja Brasileira, mas continuamos crendo no poder transformador e restaurador do Evangelho. E é isso que nos dá esperança. Esperança não de que esse cenário vai mudar como um todo, mas de que a Igreja de Cristo é viva, e que o Senhor da Igreja dando a ela disposição para ser “coluna e esteio da verdade”, trará libertação a muitos!
Que o Senhor tenha misericórdia de nós!

(depois de escrever esse texto encontrei na internet um livro com o mesmo título, de Frank Schaeffer (filho de Francis Schaeffer). Claro que ainda não conheço o teor do livro, mas sem grande pretensão, imagino que falamos da mesma realidade talvez de pontos de vista diferentes)

terça-feira, 21 de julho de 2009

A ADORACAO NOSSA DE CADA DIA

"Do nascimento do sol até ao ocaso, louvado seja o nome do Senhor".Salmo 113.3


"Nós não vamos à igreja para adorar, porque a adoração deveria ser a atividade e atitude constantes do cristão dedicado. Nós vamos à igreja para adorar pública e corporativamente". (John Armstrong)


ADORAÇÃO COTIDIANA


Normalmente pensamos em adoração somente quando estamos no culto. Alguns mais reducionistas ainda pensam em adoração naquele momento do culto destinado ao louvor congregacional. Dessa forma, o que deveria ser parte da "atividade e atitude constantes do cristão dedicado", se torna um fim em si mesmo.

O que deveria ser um momento sublime de crescimento, de edificação e comunhão com Deus, se torna um drama de esforço patético para "sentir" alguma coisa. E o pior é que "sentimos", e o resultado dessas sensações é a perpetuação do erro. É uma catarse que nos alivia e "justifica" uma vida superficial, cheia de desvios, de altos e baixos, enfim de pecados mesmo. A expressão de adoração se torna apenas um compartimento separado da vida. Habilmente construímos vários desses compartimentos (vida espiritual, vida material, vida sentimental, vida profissional, e por aí vai...), chamamos de "vidas", mas na verdade são máscaras existenciais.

A verdadeira adoração segue um caminho inverso, ou seja, não é um momento de êxtase que justifica o "vale tudo" e seus compartimentos, e sim uma vida que torna relevante o momento do culto como bem expressou Geoffrey Thomas: A verdadeira adoração surge a partir de um contínuo andar com Deus. Um homem que dificilmente pensa em Deus durante os seis dias da semana, não está apto a adorá-lo corretamente no sétimo dia. Se tal pessoa fala quanto está se "regozijando" na adoração, alguma coisa está errada com ele! Ele está se entretendo ou está recebendo aquela vaga sensação de desafio que o homem natural desfruta.

Por outro lado, em meio à verdadeira adoração, tal pessoa deveria sentir quanto está afastada de Deus e sentir uma tristeza santa por sua negligência para com a glória do Senhor. (Geoffrey Thomas) Como podemos ver estamos nos distanciando da verdadeira adoração na medida em que desvinculamos o domingo do restante da semana. O que Geoffrey está dizendo é que a nossa adoração formal do domingo é enganosa se Deus não é Senhor de nossa vida todos os dias. Nos anos 80 o pastor Caio Fábio expressou essa mesma verdade com muita propriedade, dizendo: "Quando não há culto na vida, também não há vida no culto".


ADORAÇÃO E SERVIÇO



A adoração também é enganosa quando não há serviço real ao reino de Deus. A verdadeira adoração anda de mãos dadas com o serviço ("...ao Senhor teu Deus adorarás e só a ele servirás" Mt.4.10). O serviço implica logicamente em mais que palavras e pensamentos, por mais poéticos e filosóficos que sejam.

Em verdade, adoração feita só de palavras, versos e poesia é abominável ao Senhor, como vemos em Isaías 29.13: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído; Adorar com "mais que palavras", é adorar servindo ou servir adorando.
O serviço a que nos referimos é portanto, aquela noção de que nossos afazeres diários são para a glória de Deus. O senso de adoração precisa ser sobretudo bíblico, e então atingir intensamente cada aspecto da nossa vida. O seu trabalho secular é para a glória de Deus, não importando o que você faça; o seu momento de lazer também é para glória de Deus! Enfim, "tudo o que fizerdes seja em palavra seja em ação fazei em nome do Senhor Jesus dando por Ele graças a esse nome".(Cl.3.17) Precisamos resgatar o sentido da verdadeira adoração, pois Deus não recebe adoração que não tenha sido por Ele mesmo estabelecida. Não podemos pensar que tudo o que Deus pede é sinceridade, pois podemos estar sinceramente errados.

Martinho Lutero nos deixou um legado importante de resgate da adoração simples, que não requer invenções copiadas sem critério do mundo doente, como vemos hoje. E é dos dias da Reforma que nos vem um exemplo maravilhoso, quando um certo sapateiro se aproximou de Lutero perguntando "o que deveria fazer da sua vida, agora que se tornara cristão", e o sábio reformador disse prontamente, "faça um bom sapato e venda por um preço justo"! Talvez aquele homem esperasse uma resposta clichê do tipo, "consagre-se inteiramente ao Senhor, viva só da obra"! Mas Lutero sabia que somos verdadeiros adoradores com o nosso trabalho bem executado, sendo bons profissionais em nossa área, não dando ‘calote’ na praça, sendo bom pai e bom marido e até quando separamos de forma ordeira um tempo para o lazer.

Em outro momento perguntaram a Lutero "o que você faria hoje, se soubesse que Cristo volta amanhã ?" e o Reformador mais uma vez surpreendeu: "plantaria uma árvore" ! Pois não importa o amanhã, nem o domingo de culto, nem lugar (Jo.4.21-23). Precisamos viver cada dia para glória de Deus, cada atitude nossa deve glorificar o Nome do Senhor da vida !


Porque dEle, por meio dEle e para Ele são todas as coisas, a Ele pois a glória para sempre, Amém!

domingo, 12 de julho de 2009

GRIPE, IMUNIDADE E VERDADE

Nesse tempo de epidemias assolando a humanidade, tem gente buscando imunidade que, ao invés de dar segurança leva à morte. Claro que falo metafóricamente de uma “blindagem maldita” que muitos ministérios estão buscando, para que não haja perturbação da ordem estabelecida. Falo da "vacinação" e dos "anticorpos" contra coisas para as quais, nós como Igreja, não deveríamos temer a exposição. Procurando trazer maior clareza a esse raciocínio, vou citar dois exemplos (e basta!) desta imunidade maldita que tem sido buscada como se fosse o caminho do sucesso ministerial:

Imunidade à Verdade

O pragmatismo tem causado uma séria resistência à verdade. Vivemos como reféns do resultado exterior. Tudo o que se faz – de um favorzinho a uma boa ação, de um pequeno devocional a um culto – é norteado por uma mesma pergunta: “o que ganho com isso?”. Não vamos ao culto para adorar a Deus, mas para“buscar a nossa vitória”; não lemos a Bíblia para apreender verdades e conhecer a Deus,mas para decorar promessas; não oramos para humildemente reconhecer quem é Senhor, mas para reivindicar, exigir e determinar. Não obedecemos por que é verdade, mas porque funciona. Parece que não mais necessitamos de verdades teológicas para testemunhar como cristãos no mundo, precisamos de passos mágicos que nos conduzam a vitórias efêmeras, mesmo que estejamos vivendo uma mentira.

Imunidade à Crítica

Quando não há liberdade para criticar os elogios podem não ser sinceros. Não podemos confundir o ato de criticar com o falar mal, são duas coisas absolutamente distintas. A Bíblia nos ordena fazer críticas com diferentes expressões, tais como: julgar, exercer discenimento, examinar.
Aqueles que se protegem das críticas talvez estejam tentando fugir da verdade. Desta forma qualquer ministério que se coloca acima da crítica, acima do bem e do mal, está fadado ao fracasso. A Bíblia é um livro repleto de críticas, tais como, a nossa negligencia para com a verdade, a nossa lerdeza na busca de experiência com Deus, o nosso baixo nível de entusiasmo moral, a nossa superficialidade, e por aí vai. Essas críticas presentes no Livro Sagrado precisam ser lidas e ouvidas através da pregação e do ensino!


A Bíblia combatendo este tipo de imunidade

“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa perfeita e agradável vontade de Deus.” Rm.12.1,2

Note que Paulo usa termo enfático (“Rogo-vos”), mostrando que não é mera sugestão ou pedido comum de favor. Em seguida, adiciona como base dessas súplicas “as misericórdias de Deus.” E pelo que está rogando? Para que apresentemos os corpos, ou seja, todo o nosso ser, sem reservas, sem resistência a Deus, de modo que isso mude nossa relação com mundo (“não vos conformeis” - não se deixe levar, não tome a forma deste mundo). Por outro lado, devemos nos abrir para a verdade de forma que ela molde o nosso pensar, renove a cada dia nossa mente! Então podemos experimentar a “boa, perfeita e agradável vontade de Deus”... Livres de toda imunidade maldita, pelo contrário fortalecendo-se contra a mentira, e em plena saúde espiritual!

Ao Deus que cura seja a glória para sempre!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

"EU JÁ SABIA"




Não há nada mais tedioso e previsível, do que as ladainhas em que se transformaram as pregações ultimamente (sempre há exceções, graças a Deus!).
Mas veja: É um tal de “eu não sei como você entrou aqui”.(não teria sido pela porta?!);
“Deus pode mudar a sua história hoje”. (daannnnn!);
“Não há nada impossível para Deus”. (oohhhh!)
“Deus pode resolver o seu problema”. (cadê a salva?)
“A sua vitória pode vir hoje” (ou amanhã, ou depois quem sabe?!)

Enfim, um tédio total. Nesse contexto é afronta dizer que “temos a mente de Cristo”.
A Bíblia (ah, a Bíblia!), nos convida a profundidade!
Portanto, “Temos que acreditar, no mais profundo do nosso coração, que a maior crise não é política, moral ou cultural, mas espiritual, isto é, teológica”. Concordo totalmente com essa frase de Michael Horton, que disse ainda com muita propriedade que: “no conflito entre o Espírito de Cristo e o espírito da era, igrejas perfeitamente íntegras podem perder seu vigor”. Estamos vivendo a era do Espírito ou o espírito da era?
E o espírito da era se traduz nessa mensagem vaga, rasa, superficial, repetitiva, que precisa ser enxertada com tiradinhas engraçadas, frasesinhas de efeito, imagens no telão, fundo musical, ou quando se quer dar um ar mais austero - glórias, aleluias e rajadas inexprimíveis.
Quando vamos entender que não precisamos desses artifícios e que a Bíblia, somente a Bíblia (Sola Scriptura) é “inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, afim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm.3.16,17)?

Precisamos reencontrar o caminho das pregações relevantes...aquelas em Deus nos anuncia coisas firmes que não sabíamos (Jr.33.3), para que aposentemos o “eu já sabia” dos cultos !!
Àquele a quem pertence todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento seja a glória eternamente!!!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

O JOGO DO EMPURRA

Era uma vez quatro amigos que se chamavam Todomundo, Alguém, Ninguém e Qualquerum. Havia um importante trabalho a ser feito, e Todomundo tinha certeza que Alguém faria. Qualquerum poderia ter feito, mas Ninguém fez. Alguém ficou zangado porque era uma trabalho para Todomundo. Todomundo pensou que Qualquerum poderia fazer, e Ninguém percebeu que Todomundo não faria.
Final da história: Todomundo culpou Alguém, porque Ninguém fez o que Qualquerum poderia ter feito.
(fábula anônima, qualquer semelhança não é mera coincidência)