quarta-feira, 8 de julho de 2020

"A Centralidade da Bíblia na Adoração"
Francisco Júnior

sábado, 12 de outubro de 2019

O IMPÉRIO DA MEDIOCRIDADE (SUPERFICIALIDADE,O MAL DO SÉCULO)

“O contato com a mediocridade gera mais mediocridade. Os medíocres têm medo da literatura, dos clássicos e da leitura. Têm medo do esforço, do trabalho - e da história. Acham que a escola serve para paparicar a banalidade que os miúdos levam da rua e da televisão. Eles são um perigo que anda à solta, espalhando mais mediocridade, impunemente.” (Francisco Viegas, Jornal de Notícias.)

O mal do século, segundo Richard Foster, não é o câncer, não é a AIDS, nem a Gripe H1N1, nem ainda a violência ou a corrupção, mas é a superficialidade. Um produto natural de uma época como esta é a mediocridade. Tanto a superficialidade como a mediocridade (irmãs gêmeas), não existem no vácuo, mas se expressam em pessoas. Todos nós temos, em algum momento da nossa vida, oportunidade (vergonhosa!) de expressar um “pouquinho” de mediocridade, mas tem pessoas que são absolutamente viciadas!
Esse vício, como produto do meio (e também como fomentador do meio) é assustador porque, entre outras coisas, ele é causador de outros vícios. Além disso, ele também cresce e se espalha como uma grande epidemia! Não há esfera da sociedade que não sofra de algum modo com esse mal. Mas não há lugar pior para esse vício maldito mostrar as suas garras do que na Igreja!
Os viciados em mediocridade na Igreja são amantes de si mesmo, amantes da teologia da prosperidade, caçadores dos caminhos fáceis, dos atalhos; fascinados pelos milagres, vivem enfiados nas “milagrolandias” da vida. As “milagrolandias” são igrejas sem compromisso com a Verdade, espalhafatosamente dirigidas por verdadeiros traficantes de “promessinhas”, que misturam linguajar e versos bíblicos em seus discursos entorpecentes, causando dependência mortal, e tirando daí o seu sustento!Quanto aos viciados, a pregação bíblica lhes causa crise de abstinência (do besteirol); a leitura, sobretudo da Bíblia, é para eles um martírio; a reflexão teológica, um pesadelo. Quando estão em suas “viagens” têm sensação de plenitude, e quando afinal espalmam as mãos para cima e dizem “amém”, voltam para casa com o ar de dever cumprido: “domingo tem mais!”-... Pobres viciados!

Os medíocres estão no poder
Nada mais natural para uma era de superficialidade intensa. Pois, se a mediocridade se espalha com essa velocidade alucinante é porque tem uma liderança medíocre por trás. Como disse A.W.Tozer, todo povo é, ou virá a ser, aquilo que seus líderes são.Logo, os viciados têm uma boa fonte de abastecimento. Como esses líderes são megalomaníacos, e os viciados em geral são fascinados pela “grandeza e o poder”, temos um sistema desgraçadamente auto-sustentável. Os líderes fingem se importar com as mazelas dos pobres seguidores. Alimentam as ilusões com milagres forjados, com palestras motivacionais (eu não ousaria chamá-las de pregação), mega-construções, mega-eventos, entretenimento à vontade, repletos de celebridades “gospel”, que servem como exemplos de vitória. E as massas pensam que um dia também vão andar de helicóptero, viajar pelo mundo, alcançar status social... Pobres viciados iludidos!

Alegram-se em fazer parte, mas na realidade não fazem. As decisões dos líderes medíocres são sempre unilaterais, privilegiando a superficialidade e desprezando quem de fato pode contribuir. Assim, ao longo do caminho, vão perdendo pessoas valorosas. Mas, porque se importar? Nunca faltarão bajuladores!
A Bíblia é tediosa nesse esquema, existe uma imitação bisonha de ensino e uma pseudo-preocupação com o conhecimento. Porém, é só olhar mais de perto para se perceber que tudo não passa de encenação. Não se incentiva os jovens a crescer no conhecimento, até porque os jovens logo questionarão. Melhor mantê-los ocupados com a “arte”. As crianças são tratadas como parte do espetáculo, o que de certa forma já as deixa bem encaminhadas no esquema. São engraçadinhas e risonhas, e dar uma encenada atenção a elas aumentará a popularidade e solidificará a perpetuação no poder. Se você acha que esse "maquiavelismo" é exagero, dê uma boa olhada à sua volta!
“Ainda há esperança”
Estes são alguns aspectos de uma realidade deprimente e desanimadora na Igreja Brasileira, mas continuamos crendo no poder transformador e restaurador do Evangelho. E é isso que nos dá esperança. Esperança não de que esse cenário vai mudar como um todo, mas de que a Igreja de Cristo é viva, e que o Senhor da Igreja dando a ela disposição para ser “coluna e esteio da verdade”, trará libertação a muitos!
Que o Senhor tenha misericórdia de nós!


terça-feira, 18 de junho de 2019

DEUS e as NOSSAS DECEPÇÕES


Naamã, capitão do exército do rei da Síria, era um grande homem diante do seu senhor, e de muito respeito; porque por ele o SENHOR dera livramento aos sírios; e era este homem herói valoroso, porém leproso.2 Reis 5:1

Todos sabem que a vida também é feita de decepções, e precisamos aprender a lidar com essa realidade. A história de Naamã nos dá lições a esse respeito. Vamos refletir sobre algumas decepções que a vida nos impõe a partir dessa bela história. O contexto histórico é o conturbado reino dividido de Israel. Divisão essa que se deu após a morte do rei Salomão, e no início do reinado de seu filho Roboão (930 a.C.). Nesse período Israel vivia uma espécie de exílio dentro do seu próprio território, imposto pelos sírios. Portanto Naamã, como comandante do exército sírio e homem de confiança do rei, tinha ascendência sobre os hebreus. Os profetas de Israel procuravam manter certo distanciamento em relação aos governos de fora de Israel, embora fossem tidos como conselheiros e representantes de Deus para seus governantes judeus e seu povo.

1.    Decepção consigo mesmo

O texto acima (2Reis 5.1), é uma introdução à narrativa de mais um milagre atribuído ao profeta Eliseu, que viveu nos já citados conturbados anos do reino dividido de Israel e domínio sírio sobre Israel. É uma descrição da notoriedade de Naamã, como homem de confiança do rei da síria, estrategista, herói de guerra, homem vitorioso. Mas, como vemos ao final da descrição, tinha um “porém”, que representa a primeira decepção de Naamã, e irá desencadear outras decepções em sua história.  Aquele “porém” que nos faz pensar, e perguntar: Quais são os nosso “poréns”?. Aquilo que tentamos esconder a todo custo, inclusive de nós mesmos. Aquele, “porém” que só a intimidade conhece. Podemos dizer que a volta pra casa de Naamã representava o confrontar-se consigo mesmo. Alguém já disse que os “amigos” do homem moderno (rádio, TV, mídias sociais, internet) nos livra do silêncio, pois é nesse silêncio que para muitos aparecem os fantasmas da alma, os “poréns” ficam gigantes.  Vemos na narrativa da história de Naamã que a inesperada exposição diante da escrava judia trouxe muitas inquietações para esse notável comandante sírio e desencadeou uma série de decepções. É importante observarmos também, que essa primeira e fundamental decepção não era algo simples e insignificante. “Na Síria, a lepra apenas incapacitava a pessoa de realizar suas obrigações; Naamã, estando leproso, já não poderia mais obter vitórias para a Síria, o que causava sérias preocupações. Por outro lado, para o povo judeu não era apenas uma doença que tornava o seu possuidor um “inválido”, mas era o símbolo do próprio pecado. Vale ressaltar que não é um mero “símbolo” naquele sentido subjetivo que utilizamos¹, mas a própria marca do pecado, o que é algo sensivelmente mais forte. O povo judeu e os povos antigos não faziam, como nós, esse tipo de abstração. Quando falamos dos elementos da Ceia como “símbolos” do Corpo e do sangue de Cristo, por exemplo, estamos dando aos elementos um valor subjetivo e assim diminuindo o valor do Sacramento.
Portanto, essa primeira decepção de Naamã se reveste de um significado muito forte e intensamente debilitante e depreciativo. Era algo que tornaria Naamã um inválido, sem grande importância, apagaria sua notoriedade. E do ponto de vista dos judeus, alguém distante de Deus por carregar em seu corpo a marca do pecado.(Nm.5.1-4) 

2.     Decepção com seus recursos

Após ser interpelado pela jovem escrava israelita (2 Rs 5.3), Naamã crê em sua palavra e decide pôr um fim nessa debilidade, vergonha e decepção consigo mesmo. Assim, Naamã relatou as palavras da escrava ao seu senhor, que diante do desespero demonstrado por seu comandante decide enviá-lo com uma carta ao Rei de Israel. Naamã então parte com alguns presentes, como se fosse ou pudesse comprar a sua cura. Não poderia imaginar que seria exposto a mais uma decepção. Desta feita a decepção seria com seus recursos materiais.
Quantos estão decepcionados com o que tem, e também com o que não tem. O salmista Asáfe expressou o quanto essa decepção com os recursos pode nos distanciar de Deus (Salmo 73). Jesus também ensinou no Evangelho o quanto o apego e a dependência dos recursos materiais podem gerar um comodismo mortal e uma avareza que as Escrituras definem como idolatria (Lc.12.13-21; Cl.3.5)
Naamã precisou passar por mais essa decepção para aprender que a “a vida de um homem não consiste na abundância de bens que ele possui” (Lc 12.15) e aprendeu também que nada pode ser mais próspero e enriquecedor do que obediência sem questionamentos (2Rs.5.12-14) 

3.    Decepção com a glória humana

Mas as decepções não pararam por aí. Interessante notar que para que haja uma restauração completa o homem precisa ser limpo de todos os conceitos deformados. Por isso Naamã, precisou passar por mais uma decepção. A decepção com a glória humana. Notemos que o comandante sírio agora buscava causar uma forte impressão no profeta, por meio de uma comitiva imponente (v.9). Pensava que essa estratégia provocaria uma atitude igualmente impressionante do profeta (v.11). Ao invés disso o profeta nem se deu ao trabalho de sair e receber a comitiva de Naamã e fazer cena grandiosa de cura, mas mandou um mensageiro dizer o que o comandante tinha que fazer para alcançar a cura (v.10). Diante de mais essa decepção Naamã estava pronto. É assim que o Senhor faz conosco, esgota todos os nossos recursos para que aprendamos a confiar inteiramente nEle (v.15). O oposto de todas as atitudes deformadas de Naamã agora são percebidas, mostrando um homem completamente curado.
  •   A dignidade foi devolvida (v.14) A cura maravilhosa foi alcançada
  •   Naamã agora pode reconhecer que “há Deus em Israel” (v.15)
  •   Naamã vislumbra a Glória do Senhor e reconhece que só a Ele devemos adorar (v.17)
 

Conclusão

Aprendemos com essa belíssima história, que o cristianismo não é feito de “triunfalismo barato”, e que uma vida pura e saudável é feita de derrotas e decepções circunstanciais. Nesses momentos o nosso caráter é trabalhado e alcançamos experiências que farão toda diferença em nossa vida.  As decepções apesar de doloridas, têm função de purificar nossas emoções e nossa mente de pensamentos deformados sobre nós mesmos e sobre Deus.
Todos passamos por decepções na vida, o que nos diferencia são as reações. Alguns tiram ricas  lições dessas circunstâncias, se deixam ser trabalhados, crescem e se aproximam de Deus  com essas experiências; outros se entregam a um vitimismo doentio e alienante. Os primeiros elevam sua forma de encarar a vida e se tornam exemplo a ser seguido. Os outros se tornam “amargos”, vazios e se distanciam de Deus.
Percebemos claramente essa mudança radical na vida de Naamã. Passou de um mero pagão, que se julgava o centro do universo, preso a valores materiais a um adorador humilde, desprendido. Finalmente, Naamã disse: “Se não, por favor, dê-se ao teu servo um pouco de solo, a carga de um par de mulos; porque o teu servo não mais fará oferta queimada nem sacrifício a quaisquer outros deuses, senão a Yahweh.” Naamã expressou humildemente seu desejo de adorar o Deus de Eliseu, mas quis fazer isso em solo israelita, embora tivesse de voltar ao serviço do rei da Síria.2 Reis5:17.

Quanta humildade mental Naamã veio a ter, não se preocupando com qualquer ostentação ou com destacar-se, mas, antes, estando interessado em agradar a Deus, aquele a quem reconhecia então como o verdadeiro Deus! (https://bibliotecabiblica.blogspot.com/2011/08/naama-aprende-ser-humilde.html)
Que o bom Deus use as decepções que sofremos nessa vida e nos faça crescer e se aproximar dEle.

Ao Deus que é “poderoso para fazer infinitamente mais  do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós seja a glória, na igreja e Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém” (Ef.3.20,21

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

As Glórias do Natal

  

   O Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. João 1:14


Ora, havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho.
E eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor.
E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo:
Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor.
E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura.
E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo:
Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens.
E aconteceu que, ausentando-se deles os anjos para o céu, disseram os pastores uns aos outros: Vamos, pois, até Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos fez saber.
E foram apressadamente, e acharam Maria, e José, e o menino deitado na manjedoura.
E, vendo-o, divulgaram a palavra que acerca do menino lhes fora dita;
E todos os que a ouviram se maravilharam do que os pastores lhes diziam.
Mas Maria guardava todas estas coisas, conferindo-as em seu coração.
E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes havia sido dito.  Lucas 2:8-20

De certo ponto de vista, a encarnação do “DEUS conosco” representou mais humilhação do que glória. A região em que Jesus nasceu havia sido marcada pela humilhação do domínio assírio. A profecia de Isaías diz que Deus a tornou desprezível. (Isaías 9.1-7)
Ainda assim, em muitos momentos desde o seu nascimento “vimos sua glória, glória como do unigênito do Pai”.  O nascimento foi cercado de acontecimentos extraordinários como vemos nos evangelhos. Atos sobrenaturais, visões angelicais, vozes celestiais, enfim o cumprimento da aguardada promessa de forma grandiosa e solene. 
Vemos nessas narrativas, que a glória do Natal gerou Temor e Adoração. A glória do Senhor os cercou de resplendor.  A glória do Natal causou um impacto grandioso para que uma verdade fosse guardada: “Boas novas de grande alegria que será para todo o povo: Na cidade de Davi, vos nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor”
Os seus pais viram sua glória. Simeão viu a Glória do Natal! Consideremos e imaginemos essa cena, por exemplo:  
Havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão; e este homem era justo e temente a Deus, esperando a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele.
E fora-lhe revelado, pelo Espírito Santo, que ele não morreria antes de ter visto o Cristo do Senhor.
E pelo Espírito foi ao templo e, quando os pais trouxeram o menino Jesus, para com ele procederem segundo o uso da lei,
Ele, então, o tomou em seus braços, e louvou a Deus, e disse:
Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, Segundo a tua palavra;
Pois já os meus olhos viram a tua salvação,
A qual tu preparaste perante a face de todos os povos;
Luz para iluminar as nações, E para glória de teu povo Israel.
E José, e sua mãe, se maravilharam das coisas que dele se diziam. Lucas 2:25-33

É uma cena muito tocante e impactante!
Os discípulos viram sua glória em muitos momentos. Nos diversos milagres que presenciaram. Viram sua glória também nas falas de Jesus que deixavam os ouvintes extremamente admirados pela exposição de sabedoria do céu. Não era puro e simples amontoado de enunciados.  Em um desses momentos Jesus, se manifestou de forma grandiosa na Festa dos Tabernáculos, dando aos seus ouvintes o real significado daquela festa. É importante destacar que Jesus se fazia presente em cada evento importante do calendário litúrgico. Pois não eram festas ou datas inventadas por homens, mas instituídas pelo próprio Deus.  Havia dois grandes momentos nessa que era uma das festas mais importantes no calendário litúrgico do povo judeu, como descreveu o escritor John Sittema:

A primeira cerimônia, a Coleta da Água, devia impressionar a multidão: Nissuch Ha-Mayim era, de fato, um ritual extremamente dramático.
Um sacerdote levítico ataviado com seus trajes imponentes e carregando uma jarra de ouro, percorria a longa descida pelas ruas tortuosas de Jerusalém, do Templo até o tanque de Siloé, acompanhado, a cada passo do caminho, por flautistas litúrgicos e centenas de adoradores. Sem dúvida, as crianças corriam adiante nas ruas pavimentadas com pedras e se metiam nos espaços vazios para ver melhor. Depois da coleta cerimonial de água do tanque, o sacerdote conduzia a procissão de volta ao Templo, entrando pela Porta das Aguas. Trombetas de chifre de carneiro, os shofarim, anunciavam sua chegada com um toque sonoro e prolongado, um trinado e outro toque prolongado. Jesus participou da festa conforme era celebrada em seu tempo, que incluía a cerimônia da Coleta da Água. Em Jesus, o caráter dramático intenso da cerimônia alcançou patamares ainda mais elevados. “No último dia, o grande dia da festa”, talvez no exato momento em que o sumo sacerdote derramava a água de maneira dramática para todo o povo ver, Jesus se levantou e disse em alta voz, acima dos sons do sacerdote e da movimentação irrequieta das crianças: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva” (Jo 7.37-38). 
(Encontrei Jesus numa festa em Israel / John Sittema Tradução de Abbey editoração . _ São Paulo: Cultura Cristã, 2010)


Nesse ritual de derramamento de água sobre o altar, trazida do posso de Siloé (Trad Enviado) o evangelho de João nos conta que “No último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba.
Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre.
João 7:37,38
 Jesus mais uma vez mostrando a sua glória. Ele é a água que saiu da rocha (1Co.10.4) e que saciou a sede do povo durante a peregrinação pelo deserto.

Outra cerimônia marcava a celebração da Festa no primeiro século. Era um acontecimento noturno que concluía a semana de festividades com uma exibição espantosa, que deixava os participantes sem palavras.
No início do dia, quatro candelabros imensos, cada um com 25 metros de altura, eram colocados no pátio das mulheres. No alto de cada um, ficava o óleo que serviria de combustível para as chamas e, junto aos candelabros, eram colocadas escadas para que jovens de famílias sacerdotais içassem cântaros com capacidade de dez galões para encher os recipientes. Os pavios das lâmpadas eram grossos, feitos de linho torcido das vestes utilizadas pelos sacerdotes no ano anterior. A luz das lâmpadas era extremamente brilhante, conforme a Mishná relata: “Não havia terraço em Jerusalém que não fosse iluminado por sua luz”. (Encontrei Jesus numa festa em Israel / John Sittema Tradução de Abbey editoração . _ São Paulo: Cultura Cristã, 2010)

Nessa bela cerimônia vemos Jesus mais uma vez se identificando com o significado da festa e mostrando sua glória:
Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida. João 8:12

Conclusão
Podemos dizer com propriedade como disse o Apóstolo João “O verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, como glória do unigenito do Pai”   ?
Que tipo de impacto essas narrativas causam em nós?
E essas falas e ensinos elevados de Jesus, o que tem gerado em nós ?
Que o Natal hoje e sempre represente para nós a grandeza e realidade das profecias, e dessas narrativas!
Pois um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Isaías 9:6




domingo, 21 de outubro de 2018

De que Fé estamos falando ?

"Fé para hoje" é o nome de uma revista cristã…gosto desse nome, é muito sugestivo e dá a idéia de uma Fé imprescindível como o “pão nosso”, sempre necessário…Essa frase (FÉ PARA HOJE) nos faz pensar que a fé lida com as coisas do presente…Nos faz pensar o quanto precisamos de fé, sobretudo num tempo em que muitas igrejas falam de uma fé estranha...que começa como uma moeda celestial que compra tudo o que queremos, para ir crescendo até se tranformar num ídolo da religião evangélica...um deus que tenta transformar o Deus verdadeiro em servo dos homens!
I - Precisamos de fé para lidar com as coisas temporais
Tem muita gente se atrapalhando com as coisas temporais (emprego, finanças, bens materiais), e é nesse contexto que precisamos da ” Fé que vence o mundo”; Fé para subjugar as coisas temporais. Vivemos hoje o desafio da CONTEXTUALIZAÇÃO: Estar no mundo, mas não ser subjugado pelo mundo (Jo. 17). A Bíblia diz que o mundo precisa ser vencido… “Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não vem do Pai, mas sim do mundo. Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre.” (I Jo.2.15-17). Portanto o mundanismo precisa ser vencido. Uma das caraterísticas fortes do mundanismo hoje é o INDIVIDUALISMO (leia II Tm.3.1-10). Outra face terrivel do mundanismo é o MATERIALISMO, a respeito do qual C.S.Lewis escreveu: “deviamos amar as pessoas e usar as coisas, mas em vez disso amamos as coisas e usamos as pessoas.” Só a fé gerada pela palavra de Deus tem poder para nos libertar disso. (Jo.8.32)
II - Precisamos de fé para não perder Deus de vista
Vivemos em uma geração incapaz de ver Deus nas ações e situações corriqueiras da vida…Parece que precisamos sempre de um milagre!! E quando ele não vem, nos vemos forçados a forjá-lo para continuar caminhando…Se não houver milagre aquilo que nós chamamos “FÉ”, se esvai !!! Enquanto isso, deixamos de perceber o “Deus que conhece o meu sentar e o meu levantar; de longe entende o meu pensamento.Esquadrinha o meu andar, e o meu deitar, e conhece todos os meus caminhos. Sem que haja uma palavra na minha língua, eis que, ó Senhor, tudo conheces. Tu me cercaste em volta, e puseste sobre mim a tua mão.Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim; elevado é, não o posso atingir.” (Sl. 139.1-6)
III - Precisamos fé para ser igreja e estar na igreja
Quando olhamos todas as situações de decomposição da igreja institucional… igrejas imiscuídas na atmosfera do “show busines”…igrejas que não cumprem seu papel…Quando olhamos e vemos pessoas perdidas, sem saber o que é igreja, e pior sem referenciais…pessoas acentuadamente desinteressadas…Igrejas dos extremos: de um lado alienada, isolada, em nome da “santidade”, não se inteirando de nada que acontece a sua volta, e aí perdendo a capacidade de ser relevante; de outro lado abraçando tudo sem nenhum critério, em nome da “liberdade”, assimilando a superficialidade, se embriagando com a sensualidade, não conseguindo ver limites éticos e morais…então precisamos muito de FÉ !!!Fé para hoje, para ser igreja de uma forma equilibrada, para não perder a esperança de que a igreja de Cristo não morre, nem é derrotada, porque Cristo a sustém !!!
IV - Precisamos de fé para confessar a Jesus como Senhor
A Fé cristã vive de um contínuo encontro com Cristo, não é apenas um assentimento intelectual. É estar em Cristo (”Fé é Crer dentro”, Dic Bíblico Vida Nova), é um apegar-se ao Salvador de todo o coração, “permanecer em Cristo, e Cristo nele” (Jo15.4). Baseado nisso Spurgeon escreveu : “não faça da sua fé um Cristo”. Não há um poder inerente à própria fé. Esse conceito de fé distorcido nasceu com a onda positivista dos anos 80. Aquelas frases excêntricas do tipo: “há poder em suas palavras”, ou precisamos ter “fé na fé”, ou ainda “Deus teve fé”, daí decorre também o pragmatismo: “eu creio porque funciona”. Somos instados constantemente a obedecer um doutrina ou fazer algo, não porque é verdade, mas porque funciona. Isso na verdade é a negação da fé genuína !!!A fé que vence o mundo não tem essa característica. Ela nasce em nós por um ação efetiva do Deus Todo-Poderoso. Ela é gerada pela exposição da Palavra (Rm 10.17)Creio por que é verdade. Creio por que é a Palavra de Deus. Creio por que Deus decretou. “essa é a vitória que vence o mundo” I Jo.5.4,5
AMÉM