quarta-feira, 10 de outubro de 2018



ATITUDES QUE NÃO PODEM FALTAR A UM DISCIPULO DE CRISTO


Indo eles de caminho, entrou Jesus num povoado. E certa mulher, chamada Marta, hospedou-o na sua casa.
Tinha ela uma irmã, chamada Maria, e esta quedava-se assentada aos pés do Senhor a ouvir-lhe os ensinamentos.
Marta agitava-se de um lado para outro, ocupada em muitos serviços. Então, se aproximou de Jesus e disse: Senhor, não te importas de que minha irmã tenha deixado que eu fique a servir sozinha? Ordena-lhe, pois, que venha ajudar-me.
Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas.
Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada. Lucas 10.38-42


As narrativas dos evangelhos são sempre muito ricas e instrutivas. Que lições podemos extrair desse encontro de Jesus com as irmãs Marta e Maria?
Marta e Maria representam aqui dois níveis de desenvolvimento na maturidade cristã. Um nível primário, digamos assim, e um nível mais elevado e de maior intimidade com o Mestre. Sendo assim, não existe motivo para desprezarmos nenhuma das duas posturas. Se atentarmos para o texto perceberemos que o Senhor Jesus não condena a postura de Marta, como geralmente ouvimos e lemos em alguns comentários. Jesus demonstra que ela só precisa ajustar a perspectiva de suas buscas. Precisa ajustar a ordem de prioridades. Então, precisamos sim aprender com Marta, e o seu nível de desenvolvimento na maturidade cristã, que nos faz entender uma primeira lição desse texto.

1 – Disposição para servir

Essa disposição deve ser parte do nosso envolvimento com o Evangelho. Fomos chamados para servir “ao Senhor com alegria e apresentar-se diante dele com cântico” (Salmo 100.2). Lembrando sempre que essa vida de serviço não está confinada à igreja, nem tampouco se trata de frequência a igreja. É uma vida de serviço abnegado, que se mostra nas nossas relações e nas situações mais simples.

Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória;
então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.
Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes;estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me.
Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber?
E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos?
E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar?
O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. Mateus 25.31.40

É inegável que Marta demonstrou essa disposição para o serviço em mais de uma oportunidade (João 12.2). Temos nas escrituras riquíssimos exemplos dessa disposição para o serviço. Precisamos, pois, desenvolver em nossa vida esse desprendimento para o serviço, sem busca desnecessária de publicidade e reconhecimento, até que se torne natural e constante. Sabendo que essa disposição precisa sempre estar ajustada a uma ordem de prioridade, pois sem esse ajuste corremos o risco de reduzir o ser discipulo de Cristo a um mero ativismo religioso que enche a vida de preocupações tolas e nos faz perder a “melhor parte”, conforme vemos na advertência de Jesus para Marta. Contudo, não podemos deixar de ter Marta como um exemplo de disposição para o serviço, que sem dúvida é um passo básico na trajetória do desenvolvimento espiritual

2 – Vontade de ouvir o Mestre

Maria é um segundo exemplo no texto, que deve ser nosso alvo na vida. É evidente que embora a disposição para servir demonstrada por Marta seja um exemplo para nós, o lançar-se aos pés do Mestre para ouvir seus ensinamentos é um passo bem adiante na trajetória espiritual. Maria, portanto, representa um nível mais elevado na vida do discipulo; a vontade e sensibilidade para ouvir a voz do Mestre. Tal postura, é própria daqueles que estão mais amadurecidos na intimidade com Cristo.
“Remir o Tempo”
Essa sensibilidade para ouvir e esse desprendimento para assentar-se aos pés de Jesus, tem tudo a ver com aquilo que o Apóstolo Paulo chamou de “remir o tempo” (Ef.5.16) que poderia ser traduzido como “aproveitar as oportunidades”. A palavra “remir” no texto de Paulo tem o sentido de “resgatar”. Mas como resgatar o tempo? Todos sabemos que o tempo não volta. Assim, remir o tempo é resgatar um tempo cativo de ações sem propósito. É lutar contra a tendência, que geralmente temos, de “entulhar” a vida com atividades secundárias e dar a elas uma importância que não possuem. Esse ativismo causa uma insensibilidade. E é isso que promove a inversão nas prioridades, que Jesus procurou consertar no pensamento de Marta, quando disse “Marta, Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada.” (Lucas 10.41,42)
Em três oportunidades vemos Maria nessa postura de quedar-se aos pés de Jesus; Aqui, quando recebem Jesus em casa (Lc.10.39); Quando Jesus vem ao encontro delas pela morte de Lázaro (Jo.11.32); E quando Jesus mais uma vez está em sua casa para um banquete após a ressurreição de Lázaro (Jo.12.3). Em cada uma dessas oportunidades aprendemos de uma pessoa simples que avançou na maturidade cristã em posição de aprendiz do Mestre, de dependente do Senhor e de adoradora do Salvador.

CONCLUSÃO

Aprendamos com essas duas irmãs essas lições, essas atitudes que não podem faltar a um discípulo de Cristo:
  • Disposição para servir com integridade, com desprendimento, com zelo, de forma incansável. Procurando apenas a ressalva da ordem de prioridades. E pensar que todo serviço realizado dessa forma, seja onde for, e pra quem quer que seja, é para o Senhor. É por Ele recebido de bom grado.
  • Ouvidos atentos à voz do Mestre, com sensibilidade, sem reserva, reconhecendo-o como Senhor e Cristo. E sempre em atitude de adoração, e como grande alvo na vida espiritual. Há muitas passagens que demonstram esse alvo maior. olhemos brevemente para algumas:
“Uma coisa peço ao Senhor e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo” (Salmo 27.4)
“Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” Filipenses 3.13,14

Escolhamos a boa parte, sabendo que ela não nos será tirada.

Amém

BIBLIOGRAFIA

BIBLIA, Almeida Revista e Atualizada

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